Então, quase a chegar à paragem de autocarro, resolvi, como tantas vezes o faço, apanhar flores de camélia. São cor de rosa e de manhã são bonitas, assim frescas, cobertas de orvalho. Como de costume apanhei as do chão: só apanho as que já morreram. Como de costume fui apanhar as que estavam na beira da estrada e como de costume não consegui trazer só uma.
Continuei a andar até à paragem, com as gaivotas na cabeça. Olhei para as flores. Normalmente acumulo flores destas aos montes, em casa a secar, mas desta vez, não sei bem porquê, não me parecia bem ficar com as duas. Olhei-as. Reparei num autocarro que chegava a uma paragem que não era a minha. Surgiu-me uma ideia: vou deixá-la no autocarro para desejar um bom dia a alguém!
Não tinha papel, nem caneta. Rasguei um pedaço de um recibo qualquer e com o eyeliner escrevi uma mensagem. Entrei no autocarro, encaixei o papel na flor e pousei-a num banco.
Não sei o que se passou, se alguém lhe pegou ou vai pegar, mas sei que me fez feliz ter partilhado um bocadinho. Espero que alguém tenha sorrido com a partilha, como eu sorri quando colhi uma flor morta no nascer do novo ano.
Quando os nossos olhos vêem gaivotas parece que ficam mais abertos. Ou se calhar é ao contrário: por estarem mais abertos é que reparam nas gaivotas. Se calhar esta perspectiva é meramente momentânea. Se calhar, se calhar não sei. Aquilo que sei é que hoje o Mundo pareceu-me novo, mesmo na antiguidade das coisas. Se calhar sou só eu que estou a renascer!
Uns bons novos segundos, uns bons novos dias. Trata-os como vida que são e que te saibam sempre ao máximo possível.
O nascer do ano novo na cidade do Porto - JN
1 de Janeiro de 2013 (9h53)
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