sábado, 10 de dezembro de 2011

Silence

"Some time when the river is ice ask me
mistakes I have made. Ask me whether
what I have done is my life. Others
have come in their slow way into
my thought, and some have tried to help
or to hurt: ask me what difference
their strongest love or hate has made.

I will listen to what you say.
You and I can turn and look
at the silent river and wait. We know
the current is there, hidden; and there
are comings and goings from miles away

that hold the stillness exactly before us.

What the river says, that is what I say. ” 
William Stafford



"I'd rather dance with you than talk with you"

sábado, 5 de novembro de 2011

Uma complexidade demasiado simples.

Vícios esquecidos, perdidos, apaticamente adormecidos. Cheiro a tabaco, talvez um pouco mais. Dormência esquecida de um travo álcoolico. Inquietação insana de um impulso outrora deixado para trás.
Carne, carne envolvida apenas num contorcer de culpa, dor ou solidão. Cicatrizes unidas momentaneamente, em instantes que não se tornam mais do que alucinações, comas induzidos para atenuar a dor, para atenuar um insuportável peso há muito carregado. O cansaço é mais que muito. A insegurança essa já não se faz sentir, de tão presente que tem estado.

Às vezes fazes-me falta por te teres tornado um pouco nisso. Por eu saber que também o sou para ti: uma prateleira, um apoio.
"Sei que às vezes vai também um pouco de nós" e a alucinação torna-se mais complexa. Daí que já nada seja simples, daí que já me comece a  habituar à complexidade de tudo e de mais alguma coisa. Foste tu, foram coisas, foram outros. E agora sou eu a tentar resistir e encaixar na simplicidade e beleza de uma tela à qual não sei se pertenço. Porquê? Porque é bonita de mais.
Tu eras um pouco como eu, um misto, um híbrido, entre o complexo e o simples.

Quem dera poder ser só simples e luminosa e encaixar-me na beleza das leves coisas que agora me convidam a entrar...  dos mundos que não me pertencem...




"Please teach me gently how to breathe ..."

(Setembro de 2011)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Stillness and constellations: flown away.

"I like for you to be still
It is as though you are absent
And you hear me from far away
And my voice does not touch you
It seems as though your eyes had flown away
And it seems that a kiss had sealed your mouth
As all things are filled with my soul
You emerge from the things
Filled with my soul
You are like my soul
A butterfly of dream
And you are like the word: Melancholy

I like for you to be still
And you seem far away
It sounds as though you are lamenting
A butterfly cooing like a dove
And you hear me from far away
And my voice does not reach you
Let me come to be still in your silence
And let me talk to you with your silence
That is bright as a lamp
Simple, as a ring
You are like the night
With its stillness and constellations
Your silence is that of a star
As remote and candid

I like for you to be still
It is as though you are absent
Distant and full of sorrow
So you would've died
One word then, One smile is enough
And I'm happy;
Happy that it's not true"
Pablo Neruda








sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mesmo depois de ti ... ainda és tu ?

"Paro.
... e deixo-me ficar a olhar para ti...
Quero ficar no teu rosto, na medida exacta do que em ti é outro, nesse recanto de vida em que recomeças ... e em que posso recomeçar também.
Percebo que gostasses que ouvisse as falas, que tanto tempo te levaram a memorizar... mas não sei desprender-me do teu rosto, caligrafia redonda e geométrica ... e a tua voz é apenas um adorno que usas para me distrair.
Não conseguiste. Os meu olhos não te abandonaram nem para te ter inteira...
E vejo-te crescer na ansiedade e na expressão e, num relance, ocupas tudo...os gestos, as cenas, os palcos, a plateia e tudo o que não és tu se desvanece...
E tudo és tu: a cidade, a luz ocre do candeeiro a reflectir no bairro antigo, as escadinhas, os becos, as minhas assimetrias e tudo em ti me parece um miradouro de deslumbre e descoberta.
Hoje é Domingo. Vais fazer de velho. Na trouxa trazes-te novo nos sonhos velhos e arrastas pela areia os teus lamentos e a marmita. Puseste sangue e cebola e lágrimas e sonho e dor e coentros, neste banquete de emoções... em que te ofereces.
E eu... paro... e deixo-me ficar a olhar para ti...
Detenho-me no teu rosto cansado de novidade... no teu rosto que grita à procura da tua fonte, que não tardará a chegar...
A música sempre teve esse efeito em ti ... Reparo no brilho que transborda nos teus olhos, e percebo que vou ter de aprender a tocar. Talvez flauta de Pã, acho que combina com todo este cenário e talvez te possa encantar.
Como foi que te transformaste em aia? Foi no instante em que pestanejei? Tornaste-te austera e impenetrável, tão diferente do que sempre te imagino... Queres saber como te imagino?! É fácil... já vivi isso tantas vezes, que contar-to é só viver outra vez mais:
Doce, languida, com o rosto entre as mãos... como embalando um filho que tivesses agora.
És também isso quando me olhas, quando te peço que fiques no meu rosto e já nem sei o que sentir nem como ser... como se antes desse olhar eu nunca tivesse sido.
Mas enquanto nestes pensamentos, tu saíste de cena, fecharam-se as cortinas... agora o teu rosto é só o teu rosto, os teus olhos só os teus olhos e as tuas expressões o teu sentir...
Mas o teu rosto continua no palco da minha memória e ainda paro para o olhar. Percebo, então, que ... Mesmo depois de ti ainda és tu."

Carla Fragata


"Stop this train I want to get off and go home again
I can't take the speed it's moving in
(...)
But honestly won't someone stop this train."

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Menina do mar

Entro na água com os olhos no horizonte. Avanço em direcção ao desconhecido e depois mergulho, mergulho para que o meu corpo possa sentir que conhece aquilo que o rodeia. Continuo a olhar em direcção ao horizonte, ao contrário de todos os outros que me rodeiam. Os outros olham para terra, para os amigos e familiares, olham uns para os outros... nadam, brincam, refrescam-se, mergulham.
Estranhamente eu pareço ser a única que para. Paro e deixo-me ficar, submersa até ao pescoço, a olhar, apenas a olhar. Vejo os barcos, vejo os pássaros, o céu e as rochas à volta, reparo no horizonte onde o mar se perde, onde eu me perco.
Deito-me sobre o mar, a boiar. O olhar ora no horizonte, ora no céu. Deixo que as ondas me embalem. Relaxo. Não ouço nada mais que o silêncio do mar. Sabe bem. Todas as preocupações parecem desvanecer-se neste refúgio. Aqui tudo é simples e fácil: as nuvens brancas de algodão, o céu azul clarinho, a força e a frescura do mar que me envolve e me balança, o sol quente que me bate na cara, o silêncio... Not a worry in the world.  Estou na crista da onda.
Mas, de repente, essa onda torna-se mais forte, mais agressiva e cobre-me a cara, fazendo-me engasgar. Todas as preocupações se tornam de novo eminentes, assim, de repente, sem aviso. É como que um acordar para a realidade. O sol deixa de cobrir o meu corpo e água parece-me mais fria, já não vejo as nuvens e o céu, a onda virou-me para a costa. Agora ouço todos os ruídos humanos de quem, não como eu, se sente feliz e despreocupado na sua realidade... como eu era, na crista da onda.

Quero voltar, quero deixar-me estar outra vez, com a sensação de que tudo vai ficar bem, de que tudo está bem. Não consigo. A onda que me deu uma bofetada tornou tudo claro, deixou tudo a descoberto... outra vez.

Acabo por ficar a vaguear no meio das outras ondas, sem saber para onde olhar, sem saber o que fazer.

Desde pequenina, sempre fui uma menina do mar.



"I left my soul there,
Down by the sea
I lost control here
Living free"

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Remember

“Não sei porque o fiz. Mas hoje reconheço, naquilo que então aconteceu, um esquema por meio do qual o pensamento e a acção se conjugaram ou divergiram durante toda a minha vida. Penso, chego a um resultado, fixo-o numa conclusão e apercebo-me de que a acção é algo independente, algo que pode seguir a conclusão, mas não necessariamente. Durante a minha vida, fiz muitas vezes coisas que tinha firmemente decidido não fazer. Algo existe em mim, seja lá o que for, age (...) Não quero dizer que o pensamento e a decisão não tenham alguma influência na acção. Mas a acção não decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria, e é tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões.“

O leitor. Bernhard Schlink



"Watch me as I fall (...)
and always remember ..."


domingo, 3 de julho de 2011

Honesty



"When I open my mouth
I'm so brutally honest
And I can't expect that (...) from you
When you open your mouth
your teeth are beautifully polished
And I can't extract the pain you're going through
No I can't explain
The pain you're going through

It ain't gonna hurt now
If you open up your eyes
You're making it worse now"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Open your eyes

Hoje encontrei-me.

Fim da tarde/Noite. Ia eu numa daquelas tantas viagens de metro sempre iguais umas às outras.

Distracção de uma qualquer conversa entre duas raparigas, sobre um qualquer assunto que não ficou retido na minha memória. Olho para uma das raparigas, "a brasileira", "tem um saco na mão" reparo. Um saco transparente: um martelo de s. joão e um embrulho. A outra, "a portuguesa", vários sacos. Compras pensei eu... agora vem-me à ideia que falavam de algo relacionado com trabalho. Eu ouvia, já não sei o que pensava. Talvez até nem tivesse pensado nada, talvez o assunto não me tivesse despertado interesse suficiente para tecer qualquer tipo de comentário mental. Não sei.

Reparo numa rapariga sentada, olhar alergre, entuasiasmado. Encosto a cabeça ao metro, olho lá para fora. Como tantas outras vezes, o meu olhar perde-se numa qualquer paisagem reconhecidamente desconhecida, propositadamente aleatória. Olho de novo para dentro: as raparigas continuam a falar; a outra rapariga segue animada. O meu olhar vagueia pela carruagem, até que pára.

Reparo num rapaz encostado no canto oposto a mim, head-phones on. Os pêlos dos meus braços arrepiam-se. A expressão, o olhar do rapaz.. aquela expressão, aquele olhar. Olhar cansado e  vago, sem fixar nada com muita atenção ou por mais do que breves instantes, expressão triste. Fico intrigada.

Ouço a voz "do metro" a acordar-me: vou sair na próxima estação. Movo-me para mais próximo da entrada e olho mais uma vez. O nosso olhar cruza-se e prende-se por alguns momentos. Apercebo-me da razão do arrepio: encontrei-me. Encontrei-me num olhar e numa expressão que não são meus, mas que traduzem exactamente a maneira como me sinto.

Saio do metro, não olho para trás. Ao caminhar em direcção a casa, ao subir as escadas (o elevador parece-me cada vez menos apropriado) sinto o sol a acariciar-me levemente o rosto. Na minha mente não há nada para além daquele rosto, daquela expressão. Por um caminho tantas vezes percorrido, já tão automático e "mais-do-que-visto" vou olhando para as coisas: a entrada da escola, as pessoas à porta, a casa com o cão, os carros estacionados, a tradicional "senhora à janela". Reparo então num pormenor que nunca me tinha saltado à vista: um vaso de flores vermelhas depositado numa qualquer varanda. Observo para mim mesma, que aquele vaso tem "ar" de já estar ali há bastante tempo. Penso: Percorro este caminho pelo menos uma vez por dia, normalmente duas. Como é que nunca reparei nisto?

Tudo isto numa questão de breves minutos.

Hoje revi-me. Não gostei do que vi. Não gostei do que senti. Mas não consigo deixar de pensar que não fui a única a encontrar-me naquele olhar.




Balancing the whole thing!

Whose work is it but your own to open your eyes?
21-06-2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mão aberta, braço estendido


So you are in a dark place, so you've probably hit the rock bottom.
I'm sorry but that's not going to push me away now!



Are you going to let me in? 

Don't be silly sweet baby!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobe as escadas

Hipnotizada pelas palavras, pela música, pela correria, pela brisa que sinto a acarinhar-me os ombros, hipnotizada por uma quantidade de antagonismos que se me vão impondo, atropelando-se à frente dos meus olhos, penso, tal como o disse tantas vezes e hoje outra vez ainda: calma.

Calma em mim, calma em ti. Calma, em vez desse imenso frenesim, desnorteio e descontrole que procuraste com desespero... silêncio, PAZ.

Pára para pensar. Não fujas de momentos a sós com a tua própria individualidade, o teu próprio sentido de existência. Momentos em que tanta coisa te vem à cabeça, em que mais do que um rever da rotina quotidiana te deparas com um misto de emoções, um misto de palavras e desejos. 
Pára, deixa-te parar, deixa-te aperceber daquilo que sentes, daquilo que tu próprio tens de resolver e daquilo em que podes pedir ajuda.

Não tenhas medo de procurar uma mão, um ombro, um ouvido. Eu estou aqui, só preciso que me deixes entrar.

Verbaliza, hiper-adjectiva, grita, descontrola-te: expressa-te; mas pára, pára e deixa os outros entrarem.

“Um dia de cada vez”, é o cliché que hoje se impõe.

Sobe as escadas, não uses o elevador.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Surpresas

"What matters is what we have and that we have it."



"Tudo fazia sentido (...) 

Era isto que realmente importava, não qualquer outro tipo de gratificação, não o que se ganhava, não o que diziam de nós, não, não, não ... "

Obrigada.
"you're the one I have decided who's one of my kind !"

terça-feira, 17 de maio de 2011

Janelas abertas


É bom mudar. É bom mudar, nem que seja o que ninguém vê. Nem sempre é preciso, mas às vezes faz bem, nem que seja mudar para pior.
A mim fez. Foram portas que se abriram e me fizeram crescer, foram janelas que se abriram e me fizeram voar. Voar e depois cair, como deve ser. Toda a ascensão é naturalmente seguida de uma queda. Foi bom olhar à volta e perceber aqueles que lá estavam, aqueles que eu tinha empurrado para longe e aqueles que se afastaram naturalmente.

Sou muito nova? Até posso ser, mas sou-o com a certeza de que quando precisei tive cabeça para lidar com as coisas. Claro que, com todas as inseguranças e incoerências inerentes à idade. Foi bom. Foi bom respeitar normas e cumprir silêncios. Se foi difícil? Foi muito, de mais, mas foi sinónimo de tanto crescimento.
Foi bom ter que enfrentar certas coisas para depois poder seguir em frente, apenas com a certeza que há coisas que ficam para trás e outras que trago, para sempre, comigo.





"So go ahead... argue with the refs, change the rules, cheat a little, take a break and tend to your wounds. But play. Play. Play hard, play fast... play loose and free. Play as if there's no tomorrow. Okay, so it's not whether you win or lose, it's how you play the game... right?"