domingo, 3 de março de 2013

Ai deus mo deu, ai deus mo levou - Deixa o nosso amor morrer!

"Não sei porque o fiz."

Diverge em mim muito mais do que o costume. Divago normalmente, cabeça no ar, perco-me nos meus próprios caminhos, mas agora pareço fazê-lo ainda mais do que o habitual. Não sei como reagir sem reagir, como me esquivar de mansinhoSinto e não sinto sem compreender. Vejo(-me) sem saber como (me) explicar. Sinto-me bem, mas nem sempre sou eu. Quem é que se sente bem então? Quem é que (se) vê (n)aquilo que vejo? O eu que era é assim tão diferente do que eu sou?

"Dava-me jeito agora um deus qualquer para moço de recados."

Não sei onde foram as tuas idiossincrasias das quais eu tanto gostava, mesmo que com algum desgosto e tanta revolta à mistura. Não sei aonde foste tu e tudo aquilo que era teu. Não me lembro de te ter visto a partir, não me lembro de me ter apercebido que já cá não estavas, só me lembro de quem eras e de quem fui contigo. E depois disso, lembro-me de quem deixaste de ser, desprendido de tudo aquilo que eu era. Lembro-me de sentir que a tua minha alma se desprendia de ti e de mim, aos poucos e poucos. Onde foste? Com certeza não foram as gaivotas a levar-te, não foi migração de pássaros nenhuma. Principezinho que não foste, nem és ... e que, para mim, tão-pouco serás.

(Janeiro/Feveiro de 2013)


"Quando as coisas deixam de durar, alteram-se. O simples facto de deixarem de ser altera-as, por mais que procuremos fazê-las estancar. Apetecia-me ter gravado fitas com as nossas conversas, filmes com os nossos passeios. Mas depois, quando olhasse para o filme, eu seria outro. Um outro a matutar numa imagem que já não era eu, que já não eras tu, apenas aura - essa aura que os filmes fabricam, luz do que já não é, do que já nunca fomos, mesmo que o tenhamos sido."


Chamaste-me "andorinha", mas és tu que agora, de novo, me fazes voar. Meu bem, já dizia o outro, "uma andorinha não faz a Primavera". Espero que a encontres, às vezes, na efemeridade daquilo que é bom. Olha lá, agora alguém me sussurrou mais uma coisa ao ouvido, ora ouve: "Não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera". E não, meu bem, não é.


"As andorinhas não param, umas voltam, outras não."