domingo, 28 de julho de 2013

Antes que anoiteça senhores.




"(...) quero que não haja hospitais, quero que não haja doentes, quero que não haja operações, quero ter tempo para ganhar coragem e dizer aos meus pais que gosto muito deles
(não sei se consigo)
dizer aos meus pais que gosto muito deles antes que anoiteça senhores, antes que anoiteça para sempre."

António Lobo Antunes

domingo, 21 de julho de 2013

"I can see it" moment.




For a minute there I lost myself. Fjögur píanó starting. I stared at the message that had just arrived to my cellphone. I smiled and closed my eyes. I felt like I was well guarded in a safe place, the safest place in my world.
My eyes started weeping just a little, without me even realizing it. I abandoned myself to the wonder of that feeling, to wander into that feeling. I got envolved into that warmth sense, like my coziest hugs, like a million hands holding my body. So close. A soft embrace, the depth of that gentle swaying, the sweet flavour in my mouth. Sliding through a million of cushioned clouds, which stood above the wet grass ...where I once felt like I was slipping, the secure certain that, this time, I wasn't about to fall.
This was my happy hour. A thousand shots of pure gratification, a thousand shells of the most profound sense of peace. No meaningless concerns.
I was left alone with my less lonely self, with my (finally) self-acknowledging me. And I started dancing... again.



"I can see it. 
This one moment when you know you're not a sad story.
 You are alive, and you stand up and see the lights on the buildings and everything that makes you wonder.
 And you're listening to that song and that drive with the people you love most in this world. 
And in this moment I swear, we are infinite."


Fim de Junho - 7 de Julho

domingo, 9 de junho de 2013

S.O.M. - Sacred thing!



"As far as history goes, we all have our own each little guide, a history line... and I think that sometimes, when a bunch of stuff happens to you, you might think that your history line is sort of premeditated or destined to do this one thing and ... that one thing might feel like it is trapping you down. It might not be an excitement line all the time ... but some things, you can make some certain decisions and certain things happen that if you allow them to happen and you notice them happening, they can change the course of your history... and when they're for the better, it's a sacred thing!"


"Everything that happens is from now on."
Sólida Oportunidade de Mudança

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pretérito mais que perfeito

O pai enviara-lhe uma "História Antiga". Ela lera o e-mail e pensara "é uma estória para meninos pequeninos". A irmã não a tinha recebido, já era crescida. "Que falta me fazia agora saber ser uma menina crescida, saber lidar com estes assuntos de meninos crescidos", pensara.

O desenho não lhe saía do lápis, estava enclausurado numa qualquer ausência de conclusão sonhada outrora. Nem as bailarinas, que eram tão suas, tão cheias daquela magia que lhe enchia os olhos com aqueles diamantes brutos que parecem querer brilhar para sempre. Não, nem essas. Onde teriam ficado as bailarinas? Certamente próximas das borboletas, do tamanho de elefantes, que sempre pareciam voar na sua barriga em momentos do tão saboroso nervoso miudinho que fazia questão de sentir sempre que valia a pena.
Hoje em dia só escrevia sobre tragédias de algibeira... mas continuava a tentar desenhar gentes, lá isso continuava. Gentes que perdiam as emoções transmitidas através dos sorrisos, dos olhares e das rugas, para as ganharem todas pelo corpo, por correntes, por impulsos, por tudo e por nada. O movimento. O movimento e as gentes - sempre a tinham fascinado tanto.

Imersa então em pensamentos, começara a recordar as suas estórias antigas. Pensava em viagens de carro ao som de Madredeus, em Verões em casas de praia com banda sonora de Elis Regina, Caetano e Chico. Lembrava-se de colher limões para dar sorrisos; de falar tanto sobre tanta coisa que havia sempre conclusões novas; do entusiasmo de partilhar histórias. Lembrava-se do nascimento de pequenos grandes orgulhos e de danças tão felizes como o orgulho de corrigir o nome daquilo que é nosso. Revivia as ressacas às 4h da manhã, com luzes penduradas em casas clandestinas; os abraços com sabor a cobertor; os intervalos de parvoeira; as danças ao pôr do sol, com os músculos a doer e um sorriso desmedido de mar. Recordava as noitadas de (pouco) estudo; as serenatas e beijos à chuva; os passeios na ribeira, dos quais nem o frio desmesurado a faria arredar pé. E as memórias dos fardos de palha; das mãos dadas de cumplicidade; dos rasgões de lágrimas; das fontes secretas e clubes mágicos? Ah, que delícia. Sorria ao recordar as capas enroladas em volta dos corpos a rebolar na relva fresca; os jantares de sorrisos; as corridas de mistério; as noites de confidências - as lutas sentidas e vividas. Pensava em projectos e aspirações. Imaginava as lutas que havia por lutar, aquilo que nunca vira e gostava de ver, o muito que gostava de vir a sentir e, porque era inevitável, pensava nos impulsos que nunca seguira.

No geral, quando olhava para trás, conseguia ver a sua linha, a sua marca. Sabia que fora muito feliz. Isso dava-lhe esperança para o que estava para vir, fosse ela pequena com bailarinas e borboletas na barriga, ou grande com gentes e dores de cabeça.

23 de Dezembro/1 de Janeiro
2 de Maio

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Slow (dancing in a burning room)


"I was bruised and battered and 
I couldn't tell what I felt 
I was unrecognizable to myself 
I saw my reflection in a window 
I didn't know my own face 
(...)
The night has fallen, Im lyin' awake 
I can feel myself fadin' away"





quarta-feira, 17 de abril de 2013

...like it would never go away!



"But it was not your fault but mine
And it was your heart on the line
I really fucked it up this time
Didn't I, my dear?"

domingo, 3 de março de 2013

Ai deus mo deu, ai deus mo levou - Deixa o nosso amor morrer!

"Não sei porque o fiz."

Diverge em mim muito mais do que o costume. Divago normalmente, cabeça no ar, perco-me nos meus próprios caminhos, mas agora pareço fazê-lo ainda mais do que o habitual. Não sei como reagir sem reagir, como me esquivar de mansinhoSinto e não sinto sem compreender. Vejo(-me) sem saber como (me) explicar. Sinto-me bem, mas nem sempre sou eu. Quem é que se sente bem então? Quem é que (se) vê (n)aquilo que vejo? O eu que era é assim tão diferente do que eu sou?

"Dava-me jeito agora um deus qualquer para moço de recados."

Não sei onde foram as tuas idiossincrasias das quais eu tanto gostava, mesmo que com algum desgosto e tanta revolta à mistura. Não sei aonde foste tu e tudo aquilo que era teu. Não me lembro de te ter visto a partir, não me lembro de me ter apercebido que já cá não estavas, só me lembro de quem eras e de quem fui contigo. E depois disso, lembro-me de quem deixaste de ser, desprendido de tudo aquilo que eu era. Lembro-me de sentir que a tua minha alma se desprendia de ti e de mim, aos poucos e poucos. Onde foste? Com certeza não foram as gaivotas a levar-te, não foi migração de pássaros nenhuma. Principezinho que não foste, nem és ... e que, para mim, tão-pouco serás.

(Janeiro/Feveiro de 2013)


"Quando as coisas deixam de durar, alteram-se. O simples facto de deixarem de ser altera-as, por mais que procuremos fazê-las estancar. Apetecia-me ter gravado fitas com as nossas conversas, filmes com os nossos passeios. Mas depois, quando olhasse para o filme, eu seria outro. Um outro a matutar numa imagem que já não era eu, que já não eras tu, apenas aura - essa aura que os filmes fabricam, luz do que já não é, do que já nunca fomos, mesmo que o tenhamos sido."


Chamaste-me "andorinha", mas és tu que agora, de novo, me fazes voar. Meu bem, já dizia o outro, "uma andorinha não faz a Primavera". Espero que a encontres, às vezes, na efemeridade daquilo que é bom. Olha lá, agora alguém me sussurrou mais uma coisa ao ouvido, ora ouve: "Não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera". E não, meu bem, não é.


"As andorinhas não param, umas voltam, outras não."




terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A vida é folha que cai.


Olho pela janela do carro para te ver chegar, não como outrora, quando ainda eras tu. Agora vens amparada por aquele que um dia foi o teu filho. Vejo-te chegar e saio do carro para te dar mais um beijinho e ouvir-te perguntar mais uma vez: "E esta menina bonita quem é?". Ouço-os a dizerem-te o meu nome e um "é a sua neta.", esperançoso de uma réstia de lembrança da tua parte. Não te lembras, é claro. Eles também não te respondem. Eles vivem-te como aquilo que um dia foste, eles vivem-te com a remarcada esperança de que o voltes a ser. Não o és, é claro. Dói-lhes sentir-te a fugir, dói-lhes a amostra daquilo que um dia serão: uma folha caída.
Sentas-te ao meu lado e vais o caminho todo a murmurar palavras interligadas sem sentido, algumas que nem palavras são. Só eu te oiço. Falas baixo como se a vida te fugisse por entre essas palavras. Quando te respondo pareces não saber lidar com isso, mas acabas por o fazer. Desculpas-te o melhor que podes pela tua falta de coerência, com as palavras que ainda te habitam e eu sorrio-te, acenando sem dizer mais nada. Já não pousas a tua mão na minha perna, como quem me agarra a ti. Passas a viagem a ver as vistas e a murmurar o que ninguém entende. Eu observo-te. Os meus olhos embaciam-se: como é que as penas caem assim? 
Chegamos, eles cumprimentam-te todos, dizendo-te quem são. "Quem são", como se pelo nome e grau de parentesco pudesses perceber alguma coisa! Os únicos que não te dão essas duas informações tão fúteis são os "cachopos". Talvez esses sejam os únicos a dizer-te aquilo que precisas de saber, com sorrisos, birras e brincadeiras à mistura. Tu sentas-te. Não vês quase nada, quase ninguém e também não há quase ninguém que te veja. Têm-te como um misto de seu dever, sua nostalgia, sua memória de estimação, sua caridade de estimação... seu carinho. Acho que os "cachopos" são aqueles que melhor te vêem: chéché como estás e uma grande mulher como foste um dia.



"A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai;
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave;
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou.
A vida - pena caída
Da asa de ave ferida -
De vale em vale impelida
A vida o vento a levou!"


João de Deus, recitado por ti.
A ti, avó.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Where do my bluebird fly?


"There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see you.

There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.

There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?

you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes 
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be 
sad.
Then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?"
Charles Bukowski




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Get over your hill, remember your own land - With grace in your heart and flowers in your hair.


‎"But I won't rot, I won't rot
Not this mind and not this heart,
I won't rot.

And I took you by the hand
And we stood tall,
And remembered our own land,
What we lived for.

And there will come a time, 
you'll seewith no more tears.
And love will not break your heart, 
but dismiss your fears.

Get over your hill and see 
what you find there,
With grace in your heart 
and flowers in your hair."



domingo, 20 de janeiro de 2013

com V maiúsculo.


"Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me Truth." 

Thoreau

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tempo de nascer

Num caminho já tão usual, na primeira manhã fria de Janeiro, os meus olhos tropeçaram em gaivotas. Mas olha, sabes que mais? Por um caminho que já tantas vezes fiz, reparei em tanta coisa nova! Foi como se neste primeiro dia tivesse começado com os olhos mais abertos: O mundo parece-me maior e eu pareço-me mais livre e mais dele.

Então, quase a chegar à paragem de autocarro, resolvi, como tantas vezes o faço, apanhar flores de camélia. São cor de rosa e de manhã são bonitas, assim frescas, cobertas de orvalho. Como de costume apanhei as do chão: só apanho as que já morreram. Como de costume fui apanhar as que estavam na beira da estrada e como de costume não consegui trazer só uma.
Continuei a andar até à paragem, com as gaivotas na cabeça. Olhei para as flores. Normalmente acumulo flores destas aos montes, em casa a secar, mas desta vez, não sei bem porquê, não me parecia bem ficar com as duas. Olhei-as. Reparei num autocarro que chegava a uma paragem que não era a minha. Surgiu-me uma ideia: vou deixá-la no autocarro para desejar um bom dia a alguém!
Não tinha papel, nem caneta. Rasguei um pedaço de um recibo qualquer e com o eyeliner escrevi uma mensagem. Entrei no autocarro, encaixei o papel na flor e pousei-a num banco.
Não sei o que se passou, se alguém lhe pegou ou vai pegar, mas sei que me fez feliz ter partilhado um bocadinho. Espero que alguém tenha sorrido com a partilha, como eu sorri quando colhi uma flor morta no nascer do novo ano.

Quando os nossos olhos vêem gaivotas parece que ficam mais abertos. Ou se calhar é ao contrário: por estarem mais abertos é que reparam nas gaivotas. Se calhar esta perspectiva é meramente momentânea. Se calhar, se calhar não sei. Aquilo que sei é que hoje o Mundo pareceu-me novo, mesmo na antiguidade das coisas. Se calhar sou só eu que estou a renascer!

Uns bons novos segundos, uns bons novos dias. Trata-os como vida que são e que te saibam sempre ao máximo possível.

O nascer do ano novo na cidade do Porto - JN

1 de Janeiro de 2013 (9h53)