"A song to say goodbye" toca agora no youtube, a lembrar-me incessantemente da realidade que me assombra. A melancólica melodia da música envolve-me os olhos em lágrimas. Agridoce, assombrosa, não é adequado que passe no youtube. O youtube. Fosse num leitor de cd's, com os headphones colocados nos ouvidos, fosse numa aparelhagem aos berros, fosse no meu passado, não no meu presente... Não se adequa, não se adequa a melancólica e a assombrosa realidade que a música retrata, não nesta minha vida. Porquê na minha vida? Porquê desta vez? Os adeus não deviam ser feitos em realidades destas, que se parecem com os sonhos.
Hoje tiraste-me o tapete de debaixo dos pés... não suavemente, puxaste-o. Eu, que já estava de gatas, caí redonda no chão.
O fim é amargo, acho que dificilmente o poderia ser mais.
Apago a luz, "(Eu) Nunca me esqueci de ti". Um misto de sensações apoderam-se de mim. Por um lado, o início da música, que muitas vezes me conforta e o faz agora "só mais uma vez", por outro a escuridão e a luz fria do computador que me envolvem num misto de solidão, inevitabilidade, impotência, pequenez... a tristeza a assolar-me cada vez mais. Não te esqueço, de facto, não me esqueci, nem nunca o farei. Ouço cantar que "Tudo muda, tudo parte, tudo tem o seu avesso", choro. Não, não é "show-off", nunca o foi. Mas desta vez estas lágrimas que me escondem o rosto, uma a uma, todas de uma vez, são mais amargas, são mais desesperadas. Por uma vez pelo menos, se mais não houverem existido, não quero a mudança, não a partida.
Já não sei não te ter na minha vida.
"Stop this train, I wanna get off and go home again.
Oh honestly, won't someone stop this train?"
Oh honestly, won't someone stop this train?"
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