sábado, 5 de novembro de 2011

Uma complexidade demasiado simples.

Vícios esquecidos, perdidos, apaticamente adormecidos. Cheiro a tabaco, talvez um pouco mais. Dormência esquecida de um travo álcoolico. Inquietação insana de um impulso outrora deixado para trás.
Carne, carne envolvida apenas num contorcer de culpa, dor ou solidão. Cicatrizes unidas momentaneamente, em instantes que não se tornam mais do que alucinações, comas induzidos para atenuar a dor, para atenuar um insuportável peso há muito carregado. O cansaço é mais que muito. A insegurança essa já não se faz sentir, de tão presente que tem estado.

Às vezes fazes-me falta por te teres tornado um pouco nisso. Por eu saber que também o sou para ti: uma prateleira, um apoio.
"Sei que às vezes vai também um pouco de nós" e a alucinação torna-se mais complexa. Daí que já nada seja simples, daí que já me comece a  habituar à complexidade de tudo e de mais alguma coisa. Foste tu, foram coisas, foram outros. E agora sou eu a tentar resistir e encaixar na simplicidade e beleza de uma tela à qual não sei se pertenço. Porquê? Porque é bonita de mais.
Tu eras um pouco como eu, um misto, um híbrido, entre o complexo e o simples.

Quem dera poder ser só simples e luminosa e encaixar-me na beleza das leves coisas que agora me convidam a entrar...  dos mundos que não me pertencem...




"Please teach me gently how to breathe ..."

(Setembro de 2011)

1 comentário:

  1. Há expressões e há sentimentos e sentidos em que me reconheço quando leio o que escreves: isso é bom, conseguires tocar o outro que lê. Mas sabes o que é ainda melhor? O facto de eu te reconhecer em cada expressão, em cada palavra, em cada pausa para respirar e pensar o que escrever (ou não) a seguir. És tu que te dás e fazes, assim, do mundo um lugar mais quente e onde o Sol brilha mais :)

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