... e deixo-me ficar a olhar para ti...
Quero ficar no teu rosto, na medida exacta do que em ti é outro, nesse recanto de vida em que recomeças ... e em que posso recomeçar também.
Percebo que gostasses que ouvisse as falas, que tanto tempo te levaram a memorizar... mas não sei desprender-me do teu rosto, caligrafia redonda e geométrica ... e a tua voz é apenas um adorno que usas para me distrair.
Não conseguiste. Os meu olhos não te abandonaram nem para te ter inteira...
E vejo-te crescer na ansiedade e na expressão e, num relance, ocupas tudo...os gestos, as cenas, os palcos, a plateia e tudo o que não és tu se desvanece...
E tudo és tu: a cidade, a luz ocre do candeeiro a reflectir no bairro antigo, as escadinhas, os becos, as minhas assimetrias e tudo em ti me parece um miradouro de deslumbre e descoberta.
Hoje é Domingo. Vais fazer de velho. Na trouxa trazes-te novo nos sonhos velhos e arrastas pela areia os teus lamentos e a marmita. Puseste sangue e cebola e lágrimas e sonho e dor e coentros, neste banquete de emoções... em que te ofereces.
E eu... paro... e deixo-me ficar a olhar para ti...
Detenho-me no teu rosto cansado de novidade... no teu rosto que grita à procura da tua fonte, que não tardará a chegar...
A música sempre teve esse efeito em ti ... Reparo no brilho que transborda nos teus olhos, e percebo que vou ter de aprender a tocar. Talvez flauta de Pã, acho que combina com todo este cenário e talvez te possa encantar.
Como foi que te transformaste em aia? Foi no instante em que pestanejei? Tornaste-te austera e impenetrável, tão diferente do que sempre te imagino... Queres saber como te imagino?! É fácil... já vivi isso tantas vezes, que contar-to é só viver outra vez mais:
Doce, languida, com o rosto entre as mãos... como embalando um filho que tivesses agora.
És também isso quando me olhas, quando te peço que fiques no meu rosto e já nem sei o que sentir nem como ser... como se antes desse olhar eu nunca tivesse sido.
Mas enquanto nestes pensamentos, tu saíste de cena, fecharam-se as cortinas... agora o teu rosto é só o teu rosto, os teus olhos só os teus olhos e as tuas expressões o teu sentir...
Mas o teu rosto continua no palco da minha memória e ainda paro para o olhar. Percebo, então, que ... Mesmo depois de ti ainda és tu."
Carla Fragata
"Stop this train I want to get off and go home again
I can't take the speed it's moving in
(...)But honestly won't someone stop this train."
"Stop this train I want to get off and go home again
I can't take the speed it's moving in
(...)But honestly won't someone stop this train."
'Eu abri a porta - ridiculamente ansiosa - e lá estava ele, o meu milagre pessoal. Os meus olhos acompanharam as suas feições: o redondo do queixo, a curva suave dos lábios cheios – agora retorcidos num sorriso - a linha recta do nariz, o ângulo agudo das maças do rosto. Deixei os olhos para o final, sabendo que, quando olhasse para dentro deles, talvez perdesse o fio do pensamento. Eles eram grandes, calorosos como a relva um bocadinho queimada pelo Sol e emoldurados por uma franja grossa de cílios escuros. Olhar para aqueles olhos sempre fazia com que eu me sentisse extraordinária. E eu ficava um bocado tonta, mas isso era porque eu me tinha esquecido de respirar. Outra vez.
ResponderEliminarQuando estou com ele, o tempo e o espaço tornam-se tão escorregadios que acabo por perder a noção dos dois. Ás vezes eu perguntava-me se via as mesmas coisas que o resto do mundo, pois eu estou incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele. E quando lhe disse isto, ele abriu o tipo de sorriso que faria o meu coração parar - se ele ainda estivesse a bater.
Por isso, toma conta do meu coração, pois eu deixei-o contigo.'
Pela mão do 1º P :')
Ohh, está lindo madrinha, gosto imenso (:
ResponderEliminar(Mas este que eu publiquei não fui eu que escrevi :p)